20.6.11

LAGRIMAS DE MENINA










Zizi, olhos negros da cor da noite que nos cobre e envolve, tinha lágrimas nos olhos, e estava sentada numa pedra do caminho sozinha e entregue aos seus pensamentos mais profundos. "Olá querida menina, como te chamas....? "Zizi".... Porque choras lágrimas tão tristes quando rir de felicidade seria o que deverias fazer?
A Zizi não era capaz de falar, as lágrimas continuavam caindo, sem parar. Algo lhe teria acontecido que ela não queria contar..."
Tua mamã ralhou-te? Bateu-te? Ou foi o teu papá que falou mais alto contigo?
Ajoelhei, abracei-a, beijei-a, senti o calor do seu corpinho doce e acariciei seus longos cabelinhos dourados. Era isso que lhe faltava...amor... carícias...beijos...calor humano.
Depois fui eu que chorei sem parar, característica muito peculiar em mim, A CHORONA, porque compreendi o problema da Zizi e o de todas as Zizis espalhadas por este nosso mundo gelado de amor, de sensibilidade e de fraternidade! Triste de dizer e difícil de compreender neste mundo onde há tanta infelicidade e, maldade sem fim.
Com o meu abraço a menina sorriu e eu também...


Adelaide

8.6.11


Quando eu era rapazote
Levei comigo no bote
Uma varina atrevida!
Manobrei e gostei dela,
E lá me atraquei a ela,
P’ró resto da minha vida.

Às vezes, numa pessoa,
A saudade não perdoa,
Faz bater o coração!
Mas tenho grande vaidade,
Em viver a mocidade,
Dentro desta geração.

Sou marinheiro
Deste velho cacilheiro
Dedicado companheiro
Pequeno berço do povo

E navegando,
A idade foi chegando,ai...
O cabelo branqueando,
Mas o Tejo é sempre novo!

Todos moram numa rua,
A que chamam sempre sua,
Mas eu cá não os invejo!
O meu bairro é sobre as águas,
Que cantam as sua mágoas,
E a minha rua é o Tejo!

Certa noite de luar,
Vinha eu a navegar,
E de pé, junto da proa!
Eu vi, ou então sonhei,
Que os braços do Cristo-Rei,
Estavam a abraçar Lisboa!

Sou marinheiro,
Deste velho cacilheiro,
Dedicado companheiro,
Pequeno berço do povo!

E navegando,
A idade foi chegando, ai...
O cabelo branqueando.
Mas o Tejo é sempre novo.

***