A estação do ano que, cumprida a sua missão, muito lentamente se despedirá deste lado do globo em que as minhas raízes nasceram, foram criadas e se desenvolveram. Como que em jeito de despedida, resolveu "brincar" enviando-me uma rajada de vento, por acaso não muito forte, o que achei simpático da parte do elemento.Veio direita a mim, a tal rajada, trazendo-me um pequeno pedaço de papel quadrado que, em movimentos graciosos mas apressados, ora subindo,ora descendo, resolveu aterrar junto dos meus pés. Por curiosidade, peguei e olhei o papel. Não queria acreditar! Ali estava um poema com título "Manhã de Novembro". Sem autor, poema húmido, enevoado, triste, frio... Como sabia o vento que me presenteou com este poema triste mas belo, que eu tinha uma ligação forte com Novembro? É para mim um mistério como misteriosos são também os sonhos!
Começa assim o referido poema:
Que manhã de Novembro triste e fria!
Gemia o vento...o chão todo molhado...
Era tudo cinzento, enevoado,
naquela hora amarga em que eu partia...
O céu também chorava nesse dia...
a terra tinha o ar atribulado
de alguém que padecesse abandonado
na hora derradeira da agonia!
Meu Deus! Em tudo havia uma tristeza,
um desconforto enorme, uma frieza,
que doutra semelhante não me lembro!
Que mão secreta havia destinado
ficar meu coração amortalhado
nas brumas desse dia de Novembro?...
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