27.7.11
UM LINDO POEMA NUM TRISTE DIA
"Se eu morrer de manhã
abre a janela devagar
e olha com rigor o dia que não tenho.
Não me lamentes. Eu não me entristeço:
ter tido a morte é mais do que mereço
se nem conheço a noite de que venho.
Deixa entrar pela casa um pouco de ar
e um pedaço de céu, o único que sei.
Talvez um pássaro me estenda a asa,
que não saber voar foi sempre a minha lei.
Não busques o meu hálito no espelho.
Não chames o meu nome que eu não venho
e do mistério nada te direi.
Diz que não estou, se alguém bater à porta.
Deixa que eu faça o meu papel de morta
pois não estar é da morte, quanto sei."
ROSA LOBATO DE FARIA
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17.7.11
OS MISTÉRIOS DA VIDA
Os dias passam.
As noites também.
É o mundo em que vivemos,
Sem saber o que fazemos,
Para onde vamos,
E de onde viemos!
Fechada num quarto escuro
Sem janelas nem pontas de luz!
De vagar, apalpando,
Procuro algo onde encoste a mão,
E descubro uma parede dura e fria.
Continuo a minha pesquisa,
Tropeçando aqui e ali,
Até que outro parede encontro,
Novamente fria e dura.
Mas eu queria mais...
Só paredes só paredes...
Não pode ser!
E continuo procurando...
Juntei as mãos,
Num gesto de esperança,
Elevei-as acima da cabeça,
Larguei-as, levei-as à frente
E encontro madeira, não parede fria.
Era uma porta e o meu coração acalmou.
Tateei ansiosa até que um fecho encontrei!
Abri-o e meus olhos logo tapei
A luz era tanta que não aguentei.
Mas à vida voltei, e à noite chegarei,
Outra e outra vez!
E é esta a vida que vivemos!
Para onde vamos e de onde viemos?
Não sei...
Adelaide 2011
13.7.11
A EXPOSIÇÃO
O MEU CORAÇÃO ESTÁ FELIZ
MAS APERTADO.
CONTENTE… MAS,
UM POUCO ANGUSTIADO,
PORQUE TIVE A INSENSATEZ
DE VOS CONVIDAR NESTE DIA
PARA VER TELAS QUE FIZ
SE DE PINTURA NADA SABIA!
DISSERAM ELES...OS FILHOS QUE TANTO AMO!
EXPERIMENTA…!
ASSIM FIZ…
... OBEDECI!
E JÁ ME CHAMAM ARTISTA.
MÁGICO DIA AQUELE
QUE NÃO MAIS ESQUECEREI!
PINTEI, PINTEI
E NÃO MAIS PAREI!
ARTISTA SEREI, TALVEZ UM DIA
E GRANDE SERÁ A MINHA ALEGRIA!
Adelaide 2009
7.7.11
2.7.11
O MEU AMIGO O VENTO
Sentei-me numa pedra do caminho.
Estava cansada e ofegante.
Tinha sido longa a corrida com o vento.
Havia-lhe pedido que me levasse
longe no firmamento.
E ele levou-me.
Enlacei nele meus braços,
com força p'ra não cair.
Passamos por belas nuvens,
em agitados movimentos.
Falei com as estrelas
Admirei seu brilho intenso,
E me apaixonei por elas.
Como é belo o firmamento.
Que bom foi subir com o vento.
"Levo-te quando quiseres..."
"Obrigada meu amigo,
Esperarei por ti
Nesta pedra sentada,
No meio do arvoredo
Na hora da alvorada"
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24.6.11
20.6.11
LAGRIMAS DE MENINA

Zizi, olhos negros da cor da noite que nos cobre e envolve, tinha lágrimas nos olhos, e estava sentada numa pedra do caminho sozinha e entregue aos seus pensamentos mais profundos. "Olá querida menina, como te chamas....? "Zizi".... Porque choras lágrimas tão tristes quando rir de felicidade seria o que deverias fazer?
A Zizi não era capaz de falar, as lágrimas continuavam caindo, sem parar. Algo lhe teria acontecido que ela não queria contar..."
Tua mamã ralhou-te? Bateu-te? Ou foi o teu papá que falou mais alto contigo?
Ajoelhei, abracei-a, beijei-a, senti o calor do seu corpinho doce e acariciei seus longos cabelinhos dourados. Era isso que lhe faltava...amor... carícias...beijos...calor humano.
Depois fui eu que chorei sem parar, característica muito peculiar em mim, A CHORONA, porque compreendi o problema da Zizi e o de todas as Zizis espalhadas por este nosso mundo gelado de amor, de sensibilidade e de fraternidade! Triste de dizer e difícil de compreender neste mundo onde há tanta infelicidade e, maldade sem fim.
Com o meu abraço a menina sorriu e eu também...
Adelaide
8.6.11
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4.6.11
1.6.11
30.5.11
O AMOR DOS MEUS 20 ANOS

Nos meus 20 anos tive a sorte de conduzir um Tesouro destes! Percorria as ruas do Porto, com alegria e sem preocupação pois ele nunca se voltaria. Por isso lhe chamavam "arrastadeira".
A minha memória ainda não esqueceu a matrícula que me acompanhou durante alguns anos: era IG-18-38 e, até a vizinhança já dizia, mesmo sem me ver: "Olha, ali vai a filha do Sr. X..., devido à força do motor, 15 cavalos como se dizia antigamente, e, por isso, se ouvia bem à distância. Havia quem me dissesse que até parecia uma camioneta de passageiros!!! Que saudades sinto dele! Por onde andará, já que os carros antigos estão a voltar para serem vistos em exposições e, inacreditavelmente, atingiram valores astronómicos!!!
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